24 de outubro de 2008

a poesia / fernando lemos





não há tempo






Não há tempo
há horas
Não há um relógio

hábitos que
me habitam


O poema dói
o ponteiro corta
a hora que queima
a morte simula

respira
para não me distrair








fernando lemos
a única real tradição viva
antologia da poesia surrealista portuguesa
perfecto e. cuadrado
assírio & alvim
1998






7 de outubro de 2008

carta de alforria






1/

já escrevi tantas cartas
de alforria!

não que tivesse sido genial
ou poderoso

mas porque
fui um homem livre

hoje contemplo
a minha grande casa branca

a minha grande casa branca
em ruínas

e sei que valeu a pena
ter resgatado tantos e tanta coisa
ao vazio e á solidão

valeu a pena
porque conquistei o meu direito
a ter medo







v de veneza
gil t. sousa
agosto de 2001






2 de outubro de 2008

a poesia / antónio manuel pires cabral





Recado aos corvos





Levai tudo:
o brilho fácil das pratas,
o acre toque das sedas.

Deixai só a incomensurável
memória das labaredas







antónio manuel pires cabral
as escadas não têm degraus 3
livros cotovia
março 1990