2 de janeiro de 2008

a poesia / e.e. cummings





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pode nem sempre ser assim; e eu digo
que se os teus lábios, que amei, tocarem
os de outro, e os teus dedos fortes e meigos cingirem
o seu coração, como o meu em tempos não muito distantes;
se na face de outro os teus suaves cabelos repousarem
nesse silêncio que eu sei, ou nessas
palavras sublimes e estremecidas que, dizendo demasiado
ficam desamparadamente diante do espírito vozeando;


se assim for, eu digo se assim for –
tu do meu coração, manda-me um recado;
que eu posso ir junto dele, e tomar as suas mãos,
dizendo, Aceita toda a felicidade de mim.
Então hei-de voltar a cara, e ouvir um pássaro
cantar terrivelmente longe nas terras perdidas.












e. e. cummings
xix poemas
trad. jorge fazenda lourenço
assírio & alvim
1998






16 de dezembro de 2007

a poesia / leopoldo maría panero






E resta

detrás do nada um ofegar tão só
perseguido pelas árvores, perseguido pelos

bosques

que sussurram ao ouvido palavras obscenas
dizendo não és homem, és
menos que um sussurro.






leopoldo maria panero
conversação
tradução pedro serra
livros cotovia
2001




paisagens urbanas










gil t sousa
paisagens urbanas
(fotografia)
2007