16 de dezembro de 2007
a poesia / leopoldo maría panero
E resta
detrás do nada um ofegar tão só
perseguido pelas árvores, perseguido pelos
bosques
que sussurram ao ouvido palavras obscenas
dizendo não és homem, és
menos que um sussurro.
leopoldo maria panero
conversação
tradução pedro serra
livros cotovia
2001
17 de novembro de 2007
kopenhagen script
-1-
as árvores furiosamente nuas
largam os seus pássaros negros
num outro mês qualquer
e as estradas separam as folhas
rolam as pedras cansadas de sol
para que o sul seja um lugar
onde a água espera
e o destino se esconde
em forma de ilha
que mão amputar
se assim nos pedem o frio?
-2-
são tão largas as horas
que se consegue ver
a solidão dum comboio vermelho
a raspar a noite
como homens à procura de uma porta
definhando gloriosamente
nas suas estações de
desespero
-3-
pelas gárgulas das catedrais
escoam-se noites antigas
que homens pacientemente sábios
recolhem letra a letra
a neve, tão mansa,
guarda-lhes a sombra e os passos
que numa janela alta e distante
um outro homem há-de ler
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