Wassily Kandinsky (Russian, 1866–1944),The Garden of Love (Improvisation Number 27), 1912
Alfred Stieglitz Collection, 1949 (49.70.1)
tudo muda
quando um verso rebenta
nos lábios
certos
cada palavra tua
é agora uma ilha
um minuto mágico
de matar silêncios
cresceu-te no olhar
um lugar de adeus
e dizes os nomes
dás-nos os gestos
que, afinal,
te ferviam no coração
esse brilho de cidade
que no rasto das estrelas se anuncia
ou o alquímico silêncio de uma duna
cravado
no olhar de um sábio
as papoilas,
os segredos
na lisa viagem do sangue
os mistérios vermelhos
de que se envenenam os rios
as ruidosas veias
que moram nas mãos solitárias
a morte
vestiu-se de prata
é
uma serpente
que sobe lenta
o último suspiro
da lua
e descansa aos pés
da eternidade dormente
das pedras