9 de abril de 2006

falso lugar #025



é Verão no meu sangue e o corpo é o quadrante dum relógio mágico onde todas as horas são marcadas com sinais de fogo.

nas veias queimadas, só o carinho da Lua – essa velha surda e cega ! – que na sua bondade de fêmea me transforma os pecados em paixão e faz dos meus gritos orações poderosas que os deuses escutam e aceitam.


5 de abril de 2006

falso lugar #024


dentro do tempo, o tempo

o cheiro do mundo
quando me cantas essa rua antiga

já por aqui morri
e vivo
regresso ao beijo seguro
e fiel



4 de abril de 2006

falso lugar #023

a casa



e a casa fecha-se
como uma flor que se gasta


agora
as palavras sobem-na
como raízes
devoradoras
sobre os olhos
entaipados


há esse amor
um vermelho muito alto
tão alto
e a morrer, a morrer
como sangue ao relento
ou livros abandonados
no chão da memória


no desejo

e há um adeus muito triste
um céu antigo
que tudo cobre sem gritar


ternura
é a ternura meu amor
é esta fogueira medonha que se apaga
no coração silencioso
do tempo frio


a casa, amor
o punho fechado do destino
roendo
o que os olhos largaram na rua
o que as mãos pousaram
no coração
para sempre, para sempre, para sempre