2 de janeiro de 2008

a poesia / e.e. cummings





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pode nem sempre ser assim; e eu digo
que se os teus lábios, que amei, tocarem
os de outro, e os teus dedos fortes e meigos cingirem
o seu coração, como o meu em tempos não muito distantes;
se na face de outro os teus suaves cabelos repousarem
nesse silêncio que eu sei, ou nessas
palavras sublimes e estremecidas que, dizendo demasiado
ficam desamparadamente diante do espírito vozeando;


se assim for, eu digo se assim for –
tu do meu coração, manda-me um recado;
que eu posso ir junto dele, e tomar as suas mãos,
dizendo, Aceita toda a felicidade de mim.
Então hei-de voltar a cara, e ouvir um pássaro
cantar terrivelmente longe nas terras perdidas.












e. e. cummings
xix poemas
trad. jorge fazenda lourenço
assírio & alvim
1998






3 comentários:

make a smile disse...

Que lindo!

Ramon Alcântara disse...

dorival caymmi!

alice disse...

:)

então tem outro esconderijo? e eu que tenho este poema no coração. obrigada.